quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Capitulo I - O começo é sempre caos.



Às vezes acho que seria muito mais simples se todos nós, os sobreviventes, colocassem uma arma na cabeça e puxássemos o gatilho.

Todos nós sabemos que não há cura, e provavelmente nunca haverá uma. Pra que então continuar com isso? Já era para estarmos caminhando entre os mortos desde o começo. Só tivemos sorte, ou azar, como queira.

Você deve estar se perguntando por que estou viva então, não é? Se acho que é muito mais simples acabar com isso logo, do que ficar criando expectativas de uma vacina, que sabe se lá, vai funcionar. 
Eu não acredito nisso, mas minha irmã sim...

E no fim das contas, eu só estou viva por causa dela, e de Daniel e Ava também. Afinal, que chance uma garota que desmaia por estresse tem de permanecer viva em um apocalipse de Z’s? Ainda não descobri o que desencadeia isso, mas é algo emocional. Está escondido no meu subconsciente, e não consigo desvendar.

- Desirée. – escutei minha irmã me chamando e vi que ela estava estendendo uma lata de salsicha em conserva, provavelmente nada apetitosa, igual as outras que já comi. 

Essa é uma das desvantagens de presenciar o fim do mundo, você não pode escolher o menu. Ou está do lado dos comedores de cérebros, ou está do lado dos comedores de enlatados.

- O que é que você tem? Está se sentindo mal, com tontura? – Dandara já começava a se preocupar comigo, mais uma vez, era típico dela me bombardear de perguntas se eu me distraísse por míseros segundos. 

- Estou bem. – interrompi e peguei a lata de sua mão, fiquei olhando para as duas salsichas boiando naquele líquido duvidoso. – Só estava pensando, apenas isso.

- Quer me contar? – ela sentou do meu lado e encostou na parede, tirando a pistola 9mm do cós da calça e colocando no colo. 

- Em tudo. Em nada. Sei lá. – dei a mesma resposta de sempre. Olhei pra ela e dei um meio sorriso, tudo para deixá-la mais tranquila. 

Peguei uma salsicha entre os dedos e coloquei tudo na boca. O gosto insosso da comida era melhor do que passar fome, pode apostar. Enquanto comia a segunda salsicha, Dandara puxou a mochila que estava do seu lado.

Enquanto ela aproveitava o pequeno instante de paz no caos para limpar e recarregar as armas, eu ficava divagando e olhando as paredes de uma escola primária, que já foram de um amarelo pálido, e que agora se encontravam imundas.

Ava estava deitada no canto da parede, com a cabeça em sua mochila, os fios loiros de seu cabelo espalhados pelo chão sujo. Ainda não sei como ela consegue deixar esse cabelo solto a maior parte do tempo. Sua arma estava ao lado da mochila, e para qualquer barulho que atrapalhasse seu sono, ela estava preparada.

Daniel estava sentado perto da porta, atento a qualquer ruído que vinha do lado de fora. Ele não queria arriscar perder mais ninguém, já tinha acontecido mais do que o suficiente com ele. Não consigo imaginar como é dar misericórdia para os próprios pais e o irmão caçula. Ainda bem que quando esse inferno começou, meus pais não eram mais vivos.

Dar misericórdia para a pessoa que você mais ama, eu não conseguiria, de maneira nenhuma. Se minha irmã virasse um Z antes de eu virar um, pra mim, estava tudo acabado também.

- Acho que deveríamos ir. – Daniel falou interrompendo meus pensamentos, e fazendo com que Ava acordasse, já com a espingarda na mão.

Joguei a lata no chão, afinal não existe mais coleta de lixo no mundo mesmo. Pegamos as mochilas e saímos em silêncio pela porta, com Daniel na frente. 

Era sempre essa mesma ordem, Daniel, eu, Dara e Ava. Assim, não ocorreriam tantos problemas indesejados, como na hipótese de eu desmaiar do nada no meio do caminho, sem ninguém para proteger as costas.

Eu tinha que ficar na frente de Ava e Dandara, para o caso de algo dar errado, assim teria Dara para me apoiar e Ava para cobrir atrás se algum Z estivesse por perto.

Passamos pelo corredor cheio de armários de alumínio. Tudo está silencioso, parecia como um dia normal antes dos Z’s. Mas silêncio demais, nunca é um bom sinal.

Quando estávamos virando no corredor da direita, para irmos em direção à saída do prédio, Dan fez com que parássemos e voltássemos para trás, nos escondendo. Escutei o barulho característico dos Z’s, o som estava vindo do final do corredor, por sorte nenhum deles percebeu ainda que estávamos aqui.

Entramos na enfermaria, já que era a porta mais próxima, assim nenhum Z nos veria antes da hora. Fazendo o menor barulho possível, trancamos a porta e Daniel ficou vigiando.

Não podíamos passar pelo portão principal, então precisaríamos de um plano urgente, pois aquela era a única saída do prédio, tirando a porta de emergência que estava bloqueada. Verificamos o prédio todo antes de escolher aquela sala de aula para descansar. Já tínhamos pegado tudo de útil, tanto na cozinha, como aqui na enfermaria.

Encostei-me à mesa, enquanto Ava e Dara examinavam a janela, e Dan vigiava a porta para que nada entrasse sem ser bem-vindo.

- Eu posso passar pela janela e chamar a atenção dos Z’s lá fora, enquanto vocês dão a volta para sair. – Ava sugeriu, não esperando uma negativa como resposta.

- Não é seguro nos separar, sabe disso. Ainda mais você sozinha para distrair Z’s. – Daniel soou protetor.

- Eu sou a única que passa por essa janela. Vamos ser realistas, é nossa única alternativa. – ela decretou e todos concordaram, afinal era verdade, não tínhamos outra opção e não poderíamos matar todos aqueles Z’s sozinhos.

- Ava. Tome cuidado, e nada de se por em perigo desnecessariamente. – Dan alertou. – Corra para a picape assim que eles forem atrás de você. 

- Entendido. – ela zombou fazendo continência. – Vai dar tudo certo. Nos vemos lá fora. – antes de sair pela janela estreita, a loira abraçou cada um de nós, já que poderia ser a última vez que estaria viva.

Esperamos o primeiro estrondo, e ele logo veio, durando no máximo cinco segundos. Provavelmente, Ava batia na lataria de algum carro, e depois veio os tiros.

Daniel abriu a porta rapidamente, e com cautela saiu da sala com a arma empunhada na mão. Fui atrás dele com meu sabre pronto para ser usado, e Dandara andava em meu encalço nos dando cobertura.

Tinham três Z’s ainda na saída, nada que eu não desse conta silenciosamente. Dan me deu passagem e num primeiro golpe cortei a cabeça fora de um deles, os outros dois perceberam minha presença e vieram famintos em minha direção. 

Não dei tempo de deixá-los se aproximar, afundei a lâmina na testa de um e quando puxei o sangue pútrido escorria pelo aço. E antes que o outro Z me tocasse, cortei sua cabeça ao meio em um golpe rápido.

Daniel tocou em meu ombro e colocou-se a frente do grupo novamente, antes de sairmos do prédio. Escutei muitos disparos, impossível de ser apenas Ava com sua espingarda automática.

- O que é que está acontecendo lá fora? – resmunguei, sendo mais uma pergunta retórica. 

Vi Ava atirando em alguns Z’s perto da picape, e estava sendo ajudada por uma garota ruiva e um garoto loiro, até que bem bonitinho. Perto deles, estava uma mulher afro americana que usava um facão muito bem, diria até, insanamente. 

Daniel e Dara começaram a correr em direção a Ava, atirando nos Z’s que encontravam pelo caminho. Comecei a correr também, me colocando na frente dos dois, como tinha que ser. 

Decepei a primeira cabeça facilmente, sentindo uma bala passar por mim e atingir um Z na minha frente. Perfurei algumas cabeças, nunca deixando de correr. 

Quando fui matar o próximo Z, ele caiu sendo atingindo por um projétil vindo de cima. Olhei para o telhado de uma casa em específico e vi um garoto com um rifle. 

- Nada mal. – sussurrei em aprovação.

Voltei à atenção para o show de horrores aqui embaixo e mais alguns Z’ vinham em nossa direção, e foi quando tudo começou a ficar turvo e meu coração acelerar. Sabia o que estava prestes a acontecer, eu estava tendo uma maldita crise. 

- Agora não. – reclamei da hora inoportuna de isso acontecer. Minha visão já estava escurecendo e antes que apagasse gritei o nome da minha irmã. – Dandara!



Asas de Borboleta - Sinopse



Sinopse



Desirée faz parte de um grupo de sobreviventes, e é conformada com o destino da humanidade, não acreditando em uma cura para os Z’s. Ela ainda permanece viva por causa de sua irmã Dandara, e deixa muito claro que quando Dara morrer, ela também o fará. 

Dée sofre de desmaios repentinos por causa do estresse, desencadeados por algum trauma emocional que ela não se recorda. Isso faz com que coloque todos a sua volta em perigo, e ela mesma principalmente.

Seu destino cruza com o de Tommy, ou 10K como prefere ser chamado. Um garoto especialista em matar, com uma pontaria excepcional, mas, ainda assim, um garoto.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Capítulo 3 - Chase

Capítulo 3

Chase







~SooAh

Ainda bem que cozinhar sempre me acalmou, por que eu seria capaz de matar Sehun de uma forma lenta e dolorosa se ele aparecesse agora na minha frente.
Coloquei a torta na geladeira, quando ele chegasse, a gelatina já estaria no ponto suficiente. Coloquei uma música no aparelho de som da cozinha enquanto lavava e guardava toda a bagunça que havia feito. O ambiente foi preenchido pela melodia de ‘The Riddle[1] do Five For Fighting[2].




‘Here's a riddle for you
Find the Answer
There's a reason for the world
You and I
There are answers we’re not wise enough to see’[3]


Cantando feito uma louca e fazendo gestos exagerados arrumei tudo que tinha colocado fora do lugar. Quem é que nunca fez isso quando os pais não estavam em casa? Colocar o som no último volume e gritar conforme a música pedia, como se você fosse o próprio vocalista da banda.
Resolvi estender minha arrumação e peguei o espanador indo para a sala, enquanto cantarolava a música sem parar. Arrumei a estante de livros, tirando todo o pó que queria estragá-los. Minha mãe diz que sou louca obsessiva, mas eu ficava com medo de meus livros ficarem amarelados tão facilmente, por isso limpava-os toda semana.
Depois de tudo arrumado, desliguei o som e fui tomar um banho, já que ainda tinha muito tempo até meus amigos chegarem. Decidi por um vestido leve, rosa e todo desenhado de caveiras pretas, e calcei meus chinelos.
Desci as escadas e deitei no sofá, fechando os olhos e tentando não pensar em nada. Cochilei e só acordei quando a campainha começou a tocar, da qual fui logo atender. Giuli já foi entrando, sem nem mesmo esperar eu falar algo, coisas que só melhores amigas podem fazer.
- O que aconteceu? Conta-me, logo. Estou muito curiosa. – ela disse eufórica se jogando no sofá. Sentei ao seu lado, apoiando os pés na ponta do sofá e envolvendo com os braços os joelhos.
- Você não vai acreditar no que Sehunnie fez dessa vez. – comecei e expliquei tudo para ela, desde Sehun dando uma de investigador profissional, até as descobertas que ele havia feito e que contaria quando chegasse aqui. Giuli então começou a rir, e eu fiquei mais relaxada, deixando a raiva pra lá. – Você ri porque não foi com você. Por falar nisso, como foi seu encontro com o tal Baekhyun? – perguntei interessada.
- Foi maravilhoso. Ele é o garoto mais fofo que já conheci. – Giuli disse com os olhos brilhando, colocando as mãos nas bochechas e sorrindo pra mim. – Nós tomamos sorvetes e conversamos diversas coisas. Sobre a escola, nossos hobbies, sonhos para o futuro, relacionamentos, essas coisas, sabe. E quando ele me levou pra casa, me chamou para sair novamente qualquer dia desses.
- Aigo[4]... – exclamei. – Vocês ficam tão bonitinhos juntos. – comentei e ela corou. Ri dela, mas logo me lembrei de que precisava contar outra coisa para ela. – Você não sabe quem veio falar comigo hoje. – comentei lembrando do garoto de olhos bonitos.
- O garoto estranho? – ela fez uma careta e eu dei um tapa de leve na perna dela. – Sério, mesmo? O que ele queria? – ela disse surpresa.
- Me ameaçar. – e vi a expressão dela ficar estranha, me perguntando, como assim. – Ele me disse para ficar longe do Baekhyun. Eu estou tentando entender até agora, mas não consigo chegar à resolução nenhuma.
- Fica longe do Baek mesmo, em. – ela disse brincando, fazendo biquinho e eu a empurrei de levinho fazendo uma careta. – Isso é estranho, será que ele gosta de você e está com ciúmes? – ela disse pegando no meu braço e chacoalhando rapidamente.
- Não seja idiota. Ele nem me conhece. – resmunguei. – Só por que você está aí de romancinho, não venha achar que tudo é cor de rosa. Eu sei é que foi muito esquisito o modo como ele falou comigo. – desabafei.
- Vou sondar o Baekhyun na próxima vez que for falar com ele. Relaxa, nós vamos descobrir o porquê dele ter agido assim. – Giuli sorriu, o que me deixou tranquila, apesar de não achar uma ideia muito boa perguntar as coisas para o Baek.
- Giuli, você lembra o nome do garoto? Eu estava tentando me lembrar, mas eu não me recordo de tê-lo escutado. – perguntei esperançosa.
- Alguma coisa Kyun, Kyung. Isso, Kyung sei lá o que. – ela tentava recordar falando diversos nomes. – KyungJong, KyungJae, KyungHo, KyungWoo, KyungSoo. Kyungsoo, é esse o nome dele. – e sorriu como se fosse o gênio da esperteza.
Escutamos a campainha e Giuli foi abrir a porta, só podia ser Sehunnie. Entrando na sala, ele colocou Giuli na frente dele e deu um sorriso torto pra mim.
- Você não vai me bater, né? – ele perguntou fazendo aegyo[5] e um beicinho muito fofo.
- Apesar de você merecer ser socado até a morte, eu não vou fazer isso. – respondi brincalhona. – Senta aqui logo, e conta o que você descobriu.
- Pra quem não gostava do garoto, não acha que está muito interessada? – ele debochou e se jogou do meu lado no sofá, e eu dei um peteleco na testa dele fazendo com que Sehun colocasse a mão na testa e exclamasse de dor. – Aish, SooAh. Isso dói.
- Pare de falar besteiras. – resmunguei. – Ande logo, eu só estou curiosa.
- Ok. – Sehun ficou sério de repente, e disse. – O bairro que ele mora é horrível, o que se encontra por lá são viciados e prostitutas. Ou no caso do nosso amigo, alguém que está em uma situação financeira beirando a miséria.
- Isso é estranho, por que apesar de ele se vestir mal, as roupas dele são boas. – Giuli opinou. – Essa história está cada vez mais estranha.
- Vi quando ele entrou em uma casa, que em minha opinião era inabitável. Estava caindo aos pedaços, com um portão de ferro na entrada todo torto e as paredes descascadas e sujas. – Sehun continuava contando. – Não achava que a situação dele era tão deplorável.
Uma fisgada no meu peito fez com que eu colocasse as mãos nele, e Giuli percebendo minha aflição, pegou minha mão nas suas e encostou a cabeça em meu ombro. Sehunnie parecia preocupado também com o garoto, que nem mesmo era seu amigo, de tão séria que era a situação.
- O que nós vamos fazer? – Sehun perguntou.
- O que nós podemos fazer? – rebateu Giuli. – Vamos falar que o seguimos e descobrimos que ele é... nem sei o que.
- Eu não vou conseguir olhar para ele do mesmo modo que olhava. – disse sincera. – Até a raiva que eu estava sentindo dele se dissipou.
- Nós temos que investigar melhor isso. Não acho que ele parece estar em uma situação tão deplorável assim. – Giuli falou pensativa. – Se olharmos pra ele e tirarmos a breguice, temos roupas boas e um garoto bem roliço e limpinho. Então significa que ele não passa fome, toma banho e tem algum dinheiro.
- Você está certa, temos que ir a fundo nessa história. Muitas coisas não se encaixam. – Sehun concordava com ela. – Outra coisa, eu não vi a presença de nenhum adulto na casa.
- Podem estar no trabalho e só chegam tarde da noite, isso não quer dizer nada. Minha mãe é um exemplo, quase não fica em casa, e está sempre trabalhando. – falei não com amargor, mas sim com um pesar de não ter minha mãe por perto. Eu sei que não é por que ela não quer, mas porque ela precisa me sustentar sozinha desde que meu pai nos abandonara quando eu tinha apenas três anos.
Sinto orgulho ao pensar em todos os sacrifícios que ela passara por mim, tanto que às vezes quase não consigo conter as lágrimas. Eu queria que minha mãe não sofresse tanto por mim, queria que ela fosse a mulher mais feliz do mundo. Eu não sou muito boa com as palavras, e não consigo muitas vezes dizer todas as coisas boas que penso dela, mas tento mostrar isso com as minhas atitudes.
- Verdade. – Giuli concordou. – Temos que ver se a noite também não tem ninguém na casa.
- O problema é que o lugar não é muito legal para passearmos de noite. – Sehun opinou. – Bom gurias, eu tenho que ir embora. Amanhã eu tenho treino bem cedo e não posso faltar. – ele se despediu de nós duas com um beijo na bochecha e foi embora.
Estávamos eu e Giuli olhando uma para outra, pensando em tudo que ouvimos do Sehunnie e tentando chegar a uma conclusão. Kyungsoo era uma incógnita, e parecia que cada vez que tentamos entendê-lo, menos conseguimos.
- Eu te conheço, você está preocupada por causa desse garoto. – ela disse alisando meu cabelo, como se fosse um cafuné.
- E você não está? E com Baekhyun também, já que ele mora com ele? – perguntei aflita.
- SooAh, eu realmente não acredito que seja tão ruim assim. Tudo bem que pelo que Sehunnie nos disse o bairro é perigoso e asqueroso. Mas olha bem pra ele, e tire suas conclusões. – Giuli me fez refletir. - Ele não me parece do tipo que passa necessidade, ele só é estranho mesmo. – ela caçoou e eu puxei uma mecha do cabelo dela em protesto.
- Eu gosto dele. – a frase escapou pelos meus lábios. Giuli assentiu com a cabeça e me abraçou.
- Eu sei. – ela disse e suspirou brandamente. – E agora vamos dormir que amanhã temos aula cedo. Tudo vai dar certo, você vai ver. – ela tentou me animar.
- Espero. – falei simplesmente.                                    





















[2] É o nome artístico utilizado pelo cantor e compositor americano John Ondrasik.
[3] Traduzido do inglês ‘Aqui está um enigma para você. Encontre a resposta. A uma razão para o mundo. Você e eu. Há respostas que não somos sábios o suficiente para ver.’
[4] É uma expressão de surpresa ou incredulidade em coreano, algo como ‘Meu Deus’ ou ‘Céus’.
[5] São expressões fofas que as pessoas usam para tirar fotos ou em certas situações.

Capítulo 2 - Intimidation

Capítulo 2

Intimidation




~SooAh

- Fique longe do Baekhyun. - a voz rouca soou sexy em meus ouvidos, apesar do tom intimidador que ele usou.
- O quê? - apenas sibilei surpresa, achando que tinha entendido mal o que ele acabara de dizer.
- Você pode se machucar. Estou avisando, fique longe dele. - o garoto disse impaciente.
Aquilo era uma ameaça, ou era impressão minha? Do nada o garoto resolve falar comigo, e é para dar ordens e me amedrontar. Quem ele pensa que é? Tentando controlar minha raiva, comecei a falar.
- Você, por acaso... - ele não deixou que eu terminasse a frase, simplesmente saiu andando, como se nem estivesse conversando comigo. Fiquei parada por uns bons minutos, tentando entender o que tinha ocorrido ali. - Mas que garoto arrogante. - esbravejei. - Ele acha que pode falar o que quiser e cair fora quando bem entender? Amanhã ele vai perceber que mexeu com a garota errada.
Se antes eu sentia uma atração por ele, agora eu só queria socar aquela cara bonita, até fazer aqueles olhos ficarem no lugar. Ok, eu nunca faria isso, primeiro porque meu treinador me daria uma advertência, e outra, não seria uma coisa lá muito bonita de se olhar, tipo Oberyn em GOT[1]. Estremeci só de lembrar desse episódio, balancei a cabeça e sem querer olhei para o outro lado da rua. Baekhyun e Giuli estavam em uma conversa animada, e ela tinha a mão encostada no braço dele. Ri e gritei um fighting mentalmente pra ela, esses dois pelo jeito, até que combinavam bastante.

Lembrei do Sr. Cara de Coruja e fiz uma careta. Será que ele falaria com a Giuli também? Ele que ouse destratar a Giuli, que vai apanhar na hora. Se esse garoto acha que pode tratar os outros assim, está muito enganado.  
Fui o caminho inteiro até a estação de metrô elaborando métodos de matar uma pessoa e não ser descoberta, brincadeira, fui pensando em como essa história é completamente estranha. Por que é que ele veio me intimidar? Por que eu não poderia me aproximar de Baekhyun? Era só eu que não poderia me aproximar, ou a Giuli também não? Qual é o segredo desse garoto e por que ele se esconde?
Estava andando tão distraída, que novamente esbarrei em alguém. Como meu humor já não estava lá essas coisas, respondi secamente para a pessoa. - Chesonghamnida. - só que eu não esperava escutar um riso, do qual eu conhecia muito bem, em resposta.
- Sehunnie. O que você está fazendo por aqui? - perguntei fazendo uma careta engraçada e ele apertou minha bochecha como de costume.
- Eu vim visitar um amigo que está doente, SooAh. - ele respondeu. - E você, indo para casa? -  perguntou já me envolvendo com seu braço direito, e caminhamos para as catracas do metrô. Assenti com a cabeça afirmativamente e encostei meu rosto em seu peito. - Então, eu te levo até lá. - ele deu uma piscadela e sorriu pra mim.
Sabe quando você sente que tem alguém te olhando, pois essa era a sensação que estava sentindo quando sentei em uma das cadeiras do vagão, e Sehun sentou ao meu lado. Procurei pelos rostos nada familiares, até encontrar ele, sentado a cinco lugares de distância do meu. Fechei a cara e fuzilei ele com o olhar, ele desviou o rosto e fingiu que nem me viu. Resmunguei comigo mesma, e Sehun segurou na minha mão, beliscando-a delicadamente.
- O que aquele garoto fez pra você, SooAh? - ele ria da minha cara, se divertindo. - Você realmente fica bonitinha fazendo beicinho. - Sehun comentou e desviou rapidamente do tapa que eu ia dar em sua cabeça.
- Cala a boca, cabeça de melancia. - xinguei. - E ele é só um idiota da minha classe, que acha que pode sair por aí mandando nos outros. - respondi irritada.
- Ah, entendi. Você gosta dele. - Sehun disse, e ria ainda mais. Comecei a socar o braço dele até ele parar. Ele segurou minha mão e chegou mais perto, encostou seus lábios na minha orelha e disse. - Está escrito na sua testa, SooAh. 'Eu gosto do garoto estranho que parece um Tarsius[2]'. - Sehun mordiscou minha orelha antes de me soltar. Olhei para ele querendo matá-lo.

- Por que as pessoas decidiram acreditar que eu estou gostando desse garoto? Sério, isso é frustrante. - balbuciei. - E mesmo se eu gostasse dele, isso só hipoteticamente falando, eu ignoraria esse sentimento depois de hoje. - Sehun me olhou de forma inquisidora e contei tudo que havia ocorrido, desde a conversa com Giuli sobre os dois alunos novos, até a conversa com o garoto a poucos minutos atrás.
- Que estranho. - ele apenas disse e olhou em direção ao garoto. - Mais muito interessante. - sorriu para mim e colocou novamente seu braço em meus ombros, fazendo com que meu corpo colasse com o dele.
Escutamos a nossa estação ser pronunciada como próxima parada, e eu me levantei rapidamente, arrumando a mochila em meu ombro. Fiquei esperando Sehun levantar, mas ele apenas me fintou divertido e fez um gesto com a mão para eu ir sozinha. O que esse traste está aprontando agora? Arqueei uma sobrancelha pedindo explicações e ele apenas disse.
- Mais tarde eu te ligo, e conto tudo. Agora vai, antes que as portas se fechem. - ele pegou minha mão e beijou, e eu saí do vagão apressadamente. Eu sei que ele vai aprontar algo, conheço-o muito bem para saber que aquele olhar era de travessura.
Decidi não me importar muito com aquilo e andei poucos minutos até chegar na minha casa. Abri o portão de madeira descascado pintado de amarelo e fui direto para a cozinha. Peguei rapidamente uma goiaba na geladeira, e enquanto comia subi para o meu quarto. Larguei a mochila em qualquer lugar e peguei meu celular. Pulei a janela do meu quarto e deitei no telhado, coloquei os fones de ouvido e fiquei ali olhando para o céu. Passei algumas das várias músicas que tinha, segundo minha mãe eu coleciono músicas, e escolhi 'Say (All I Need)[3]' do OneRepublic[4].





‘Do you know where your heart is?

Do you think you can find it?

Did you trade it for something, somewhere?

You’re a lonely soul’[5]



Ironicamente, essa música me faz lembrar dele. Por mais que eu queira ficar com muita raiva do garoto, suas atitudes ainda me intrigam. O garoto... parando agora pra pensar, eu nunca prestei atenção no nome dele. Como era mesmo? Eu já devia ter escutado em algum momento quando a professora o chamara, mas não conseguia me recordar. Eu só prestava atenção nele, em nada mas a minha volta.
Estava quase mandando uma mensagem para Giuli perguntando o nome dele, quando me recordei que ela deveria estar ainda com Baekhyun. Baek... era outro mistério a ser resolvido. Qual a ligação entre Baekhyun, o menino excessivamente alegre, e o garoto de olhos lindos e rabugento?
O celular vibrou em minhas mãos, que coincidência sinistra. Olhei no visor e era Sehun que tinha mandado uma mensagem. Cliquei e quando li as primeiras palavras quase tive uma síncope nervosa, levantei muito rápido e tudo a minha volta girou. Tentei me acalmar e continuei a ler o restante da mensagem.



' Esse Tarsius não mora SooAh, ele se esconde. O lugar é horrível e cheira super mal. Não sei como alguém pode morar em um lugar como esse.

Relaxa, ele não me viu. Eu queria ver esse seu rostinho preocupado agora, deve estar hilário. Eu sei que você quer me matar, mas se você quiser saber de tudo o que descobri, vai ter que me mimar muito.

Que tal fazer aquela torta de maçã deliciosa que só você sabe fazer? Eu passo na sua casa de noite.

Beijos, do seu incrível dongsaeng[6]. '



- Eu vou matar esse garoto! - berrei, e ainda bem que não tinha ninguém em casa, pois no mínimo achariam que estava ficando louca. Será que não estava? - Como assim ele sai seguindo as pessoas por aí? Aish, Sehunnie... - reclamei comigo mesma.
Resolvi mandar uma mensagem para Giuli, mesmo que momentaneamente atrapalhasse seu encontro, eu precisaria dela mais tarde. Afinal quem melhor do que sua amiga para ser cúmplice de assassinato?


' Miane[7], por atrapalhar seu encontro, mas eu preciso de você. Quando puder, venha para minha casa. Estou te esperando a noite, venha dormir aqui.

P.S.: Vou querer saber de tudo sobre esse encontro, em. Não dispense ele por minha causa, aproveite.

BJoo, da sua SooAh. '



Enviada a mensagem, subi pela janela e fui para a cozinha fazer a torta do infeliz do meu amigo. Se eu fosse uma pessoa má, ele teria uma estranha surpresa na torta, mas sorte dele que eu não brinco com comida. Mas Sehun que não vá achando que não o socarei, até fazer aquele cérebro de caquinha de pombo funcionar.








[1] Game of Thrones é uma série televisiva americana baseada na saga As crônicas de Gelo e Fogo do autor George R.R. Martin.
[2] É um primata pequeno e de olhos enormes, atualmente só encontrado no sudeste asiático.
[4] Banda americana de pop rock.
[5] Traduzido do inglês ‘Você sabe onde o seu coração está? Você acha que pode achá-lo? Ou você o trocou por algo em algum lugar? Você é uma alma solitária.’
[6] É um termo em coreano utilizado para se referir a pessoas mais novas.
[7] É o modo de pedir desculpas informalmente em coreano, utilizado apenas para amigos.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Capítulo 1 - Beginning


Capítulo 1

Beginning

~SooAh

Aqueles olhos grandes e esbugalhados me fascinavam. Mas não era apenas por serem tão diferentes dos demais, havia algo de misterioso e muito escondido naquelas írises cor de chocolate.
Ele era tão estranho e ao mesmo tempo tão interessante. Eu queria me aproximar dele, mas o garoto não dá abertura para ninguém. Simplesmente, senta na sua carteira ao lado da janela, no canto da sala, e fica lá olhando para o nada, ignorando tudo e todos à sua volta.
Hoje não podia ser diferente dos demais dias. O garoto estava lá com os fones de ouvidos, concentrando sua atenção em alguma coisa lá fora. Sua aparência me dava mais motivos para acreditar que ele estava se escondendo. Com uma calça jeans preta, larga demais para ele, e um moletom com capuz, que no mínimo eram quatro números maiores que o seu. O capuz estava quase cobrindo seus olhos peculiares, eu tinha que admitir, estava intrigada demais.
- Aí. - senti um peteleco na minha testa e levei minhas mãos até ela, esfregando delicadamente. – Chugulle[1], Giuli? – desferi meu olhar mais mortal para minha melhor amiga, pois sabia que tinha sido ela.
- Eu estava falando com você e de repente você ficou aí, viajando no chocolate, se é que me entende. – ela soltou sua piadinha me deixando vermelha de raiva e vergonha ao mesmo tempo.
- Cala a boca. Eu nem estava pensando nele. – menti. – Estava pensando na prova de matemática de hoje que eu vou me dar mal.
- Não conseguiu estudar pensando no garoto novo, é? – Giuli ria ruidosamente e eu desferia tapas em seus braços para que ela parasse de falar.
Reparei que o garoto olhou de relance para nós, já que estávamos fazendo muito barulho, mas depois de alguns segundos voltou sua atenção novamente para a janela. Parei de bater na Giuli e olhei para ela.
- Não é que eu esteja interessada no garoto. – comecei insegura. – Eu só o acho diferente.
- Diferente, você quer dizer estranho. O garoto fica aí com esses olhos de peixe morto e as roupas estranhas, olhando para o nada e não conversando com ninguém. – ela criticou e eu fiquei estranhamente irritada. – Sério, SooAh, esse garoto é roubada. Pode ter certeza, e não se envolva demais com ele.
- Você nem o conhece. Ele pode ser um garoto legal, mas tímido, que não se deu muito bem ainda com os novos colegas da escola. – retruquei e olhei nos olhos de Giuli, percebendo que ela sabia de alguma coisa. – Só se você estiver sabendo de algo que eu não sei. O que é que você sabe sobre ele? – perguntei esperançosa quase pulando em seu pescoço.
- Eu escutei uma conversa dos meninos da Classe 12. Eles estavam falando dos dois garotos novos, o da nossa sala e o da deles. – ela levantou um pouco da cadeira e se aproximou da minha orelha.
- Aquele tal de Baekhyun, não é? Ele é muito espalhafatoso. O que esse Baek tem a ver com ele? – perguntei apontando para o garoto encostado na parede.
- Parece que eles moram juntos. E tem, sabe, aquele tipo de relação. – ela falou mais baixo ainda, quase não dando para escutar.
- Que tipo de relação? – falei não entendendo, até que quando olhei nos olhos de Giuli percebi a malícia e quase gritei. – COMO ASSIM, ELE É GAY?
Todos na sala estavam olhando para nós agora, até o garoto de olhos grandes. Ele me encarava de um modo estranho, parecia decepcionado, ou era apenas impressão minha?
Sorri envergonhada para todos e fingi que nem fui eu que gritei feito uma louca na sala. Continuei conversando com Giuli, só que dessa vez, o mais baixo possível que conseguia.
- Isso é verdade? Ele é gay? Mas isso não é motivo pra ele se esconder e tal. Estamos em pleno século XXI. Qual é o problema? Estou achando essa história toda muito estranha. Eu nunca vi os dois juntos no colégio, eles nem vão embora juntos. – desembestei a falar e minha amiga riu.
- Você por acaso está seguindo o garoto por aí, SooAh? – ela sorriu e debochou da minha cara. – Já está assim, é?
- Isekiya[2]. - xinguei. – Eu só reparei que ele vai sozinho porque pego o mesmo metrô que ele. O garoto está sempre sozinho, pelo menos até a hora que eu desço na minha estação. – expliquei.
- Então, eu só estou te falando o que escutei. Esses meninos vivem inventando histórias sobre os outros. Lembra-se da vez que eles falaram que aquela professora de Artes era stripper na Hands Up? – Giuli disse rindo e eu acabei rindo também.
- Verdade, não pode levar muito a sério o que esses garotos dizem. – falei. – Mas você acha que ele é gay? – perguntei curiosa, olhando na direção do garoto.
- Sei lá, hoje em dia, não sei de mais nada. – ela deu de ombros. – Você realmente não está interessada nele? – fintou-me como se fosse ler minha alma.
- Claro que não. Eu só o acho intrigante, apenas isso. – respondi fazendo sinal com o dedo para ela parar de falar porque o professor havia chegado. Ela virou para frente, não antes de me olhar de soslaio e dar um meio sorriso irônico.
Enquanto as aulas iam passando, eu apenas ficava olhando para o garoto, conjecturando diversas coisas ao seu respeito. Eu queria saber mais sobre ele, e não era apenas curiosidade. Sim, menti para Giuli, eu estava ligeiramente interessada nele, mas não ia admitir isso para ninguém.
A prova de matemática até que não estava tão difícil como achava que seria. Apesar de me distrair diversas vezes, fiz uma boa prova. Levantei e entreguei minha folha para o professor, disfarçadamente olhei para trás e vi que ele ainda estava concentrado na prova. Mentalmente gritei um fighting[3] pra ele e fui embora, achando que não o veria mais hoje.
Andando pela entrada da escola, parei em um banco de madeira embaixo de uma macieira e me sentei um pouco para esperar a Giuli. Coloquei meus fones de ouvido e passei por algumas músicas no celular até encontrar ‘Why[4] da Ayaka[5].



‘Hitomi no ok uga boyake te mie nai

Kokoro no soko no kimochi wa aru no?

Why kodoku na sora wo miageru no?

Why waratte mise te yo

Tooi mukashi ni nani ga atta no?

Shisen wo sorasu anata no hitomi ni’[6]


Estava distraída, pensando em coisas aleatórias, quando sinto um vulto atrás de mim. Virei assustada tirando os fones das orelhas e dei de cara com o garoto novo da Classe 12.
- Olá, SooAh. Eu sou Baekhyun. – ele se apresentou e sentou do meu lado no banco.
- Como você sabe meu nome? – sibilei sem nem ao menos pensar.
- Ah, eu perguntei para alguém, sei lá. – Baek disse coçando a cabeça de um jeito fofo. – Mas então, você é a melhor amiga da Giuli, não é? - perguntou e podia jurar que ele estava encabulado.
Apenas balancei a cabeça afirmativamente e esperei ele continuar a falar. Baekhyun olhou para frente e não me encarava mais. Como se fosse um sussurro, ele finalmente falou.
- Eu queria saber se ela tem namorado? – ele despejou a informação tão rápido que tive dificuldade em compreender a pergunta. Sorrindo para ele neguei com a cabeça a pergunta. – Então, será que ela sairia comigo? – perguntou desajeitado.
- Sei lá, acho que sim. Por que você não pede pra ela? – respondi sorrindo. – Ela vai me encontrar aqui em alguns minutos. Por que você não fala que eu não estava me sentindo bem e fui embora, e aproveita e pede para sair com ela? Tem uma sorveteria ótima aqui por perto. – sugeri animada.
- Obrigado. - ele sorriu e pude perceber que o garoto tinha um sorriso engraçado, daqueles que dá vontade de rir também.
- Então vou indo. Boa sorte. – disse ajeitando minha mochila nas costas e recolocando os fones nas orelhas. Surpreendentemente, recebi um abraço afetuoso do garoto. Desvencilhei-me sem graça e acenei para Baek enquanto andava até a entrada da escola. Quando estava saindo pelo portão de ferro e virando para a direção da rua tropecei no pé de alguém.  – Chesonghamnida[7]. – me curvei para o estranho sem olhá-lo e quando me endireitei percebi que era ele.
Estava encostado no muro de um jeito bem sexy devo admitir, o tanto que aquelas roupas permitiam, claro. Ele precisava urgentemente de uma repaginada no visual.
O garoto me fintava intensamente, como se estivesse com raiva de mim. O que é que eu fiz pra ele? A culpa nem foi minha de ter esbarrado nele. Ele que estava escondido atrás do muro, e eu ainda não tenho visão de raio-x para enxergar através dele.
Olhei mais uma vez para ele, antes de retomar meu caminho. Acho que a Giuli está mesmo certa, esse garoto é problemático. Mas a voz extremamente sexy e grave do garoto me chamando, fez com que eu parasse instantaneamente no lugar.





















[1] ‘Quer morrer?’ em coreano.
[2] ‘Bastarda’ em coreano.
[3] Os coreanos utilizam o ‘Fighting’ ou ‘Hwaiting’ para encorajar uma pessoa.
[5] Cantora e compositora japonesa.
[6] Traduzido do japonês ‘A neblina ofuscou tanto seus olhos que é impossível para você ver. Ainda há qualquer emoção repousando no fundo do seu coração? Por que você olha para o céu solitário? Por que você não pode sorrir um pouco? O que aconteceu nos dias distantes do passado? Esses seus olhos, que se negam a olhar para o mundo.’
[7] Significa ‘Perdão’ em coreano, é uma forma de se desculpar formalmente.