Capítulo 2
Intimidation
~SooAh
- Fique longe do Baekhyun. - a
voz rouca soou sexy em meus ouvidos, apesar do tom intimidador que ele usou.
- O quê? - apenas sibilei
surpresa, achando que tinha entendido mal o que ele acabara de dizer.
- Você pode se machucar. Estou
avisando, fique longe dele. - o garoto disse impaciente.
Aquilo era uma ameaça, ou era
impressão minha? Do nada o garoto resolve falar comigo, e é para dar ordens e
me amedrontar. Quem ele pensa que é? Tentando controlar minha raiva, comecei a
falar.
- Você, por acaso... - ele não
deixou que eu terminasse a frase, simplesmente saiu andando, como se nem
estivesse conversando comigo. Fiquei parada por uns bons minutos, tentando
entender o que tinha ocorrido ali. - Mas que garoto arrogante. - esbravejei. -
Ele acha que pode falar o que quiser e cair fora quando bem entender? Amanhã
ele vai perceber que mexeu com a garota errada.
Se antes
eu sentia uma atração por ele, agora eu só queria socar aquela cara bonita, até
fazer aqueles olhos ficarem no lugar. Ok, eu nunca faria isso, primeiro porque
meu treinador me daria uma advertência, e outra, não seria uma coisa lá muito
bonita de se olhar, tipo Oberyn em GOT[1].
Estremeci só de lembrar desse episódio, balancei a cabeça e sem querer olhei
para o outro lado da rua. Baekhyun e Giuli estavam em uma conversa animada, e
ela tinha a mão encostada no braço dele. Ri e gritei um fighting mentalmente
pra ela, esses dois pelo jeito, até que combinavam bastante.
Lembrei do Sr. Cara de Coruja e
fiz uma careta. Será que ele falaria com a Giuli também? Ele que ouse destratar
a Giuli, que vai apanhar na hora. Se esse garoto acha que pode tratar os outros
assim, está muito enganado.
Fui o caminho inteiro até a
estação de metrô elaborando métodos de matar uma pessoa e não ser descoberta,
brincadeira, fui pensando em como essa história é completamente estranha. Por
que é que ele veio me intimidar? Por que eu não poderia me aproximar de
Baekhyun? Era só eu que não poderia me aproximar, ou a Giuli também não? Qual é
o segredo desse garoto e por que ele se esconde?
Estava andando tão distraída,
que novamente esbarrei em alguém. Como meu humor já não estava lá essas coisas,
respondi secamente para a pessoa. - Chesonghamnida.
- só que eu não esperava escutar um riso, do qual eu conhecia muito bem, em
resposta.
- Sehunnie. O que você está
fazendo por aqui? - perguntei fazendo uma careta engraçada e ele apertou minha
bochecha como de costume.
- Eu vim visitar um amigo que
está doente, SooAh. - ele respondeu. - E você, indo para casa? -
perguntou já me envolvendo com seu braço direito, e caminhamos para as catracas
do metrô. Assenti com a cabeça afirmativamente e encostei meu rosto em seu
peito. - Então, eu te levo até lá. - ele deu uma piscadela e sorriu pra mim.
Sabe quando você sente que tem
alguém te olhando, pois essa era a sensação que estava sentindo quando sentei
em uma das cadeiras do vagão, e Sehun sentou ao meu lado. Procurei pelos rostos
nada familiares, até encontrar ele, sentado a cinco lugares de distância do
meu. Fechei a cara e fuzilei ele com o olhar, ele desviou o rosto e fingiu que
nem me viu. Resmunguei comigo mesma, e Sehun segurou na minha mão, beliscando-a
delicadamente.
- O que aquele garoto fez pra
você, SooAh? - ele ria da minha cara, se divertindo. - Você realmente fica
bonitinha fazendo beicinho. - Sehun comentou e desviou rapidamente do tapa que
eu ia dar em sua cabeça.
- Cala a boca, cabeça de
melancia. - xinguei. - E ele é só um idiota da minha classe, que acha que pode
sair por aí mandando nos outros. - respondi irritada.
- Ah,
entendi. Você gosta dele. - Sehun disse, e ria ainda mais. Comecei a socar o
braço dele até ele parar. Ele segurou minha mão e chegou mais perto, encostou
seus lábios na minha orelha e disse. - Está escrito na sua testa, SooAh. 'Eu
gosto do garoto estranho que parece um Tarsius[2]'.
- Sehun mordiscou minha orelha antes de me soltar. Olhei para ele querendo
matá-lo.
- Por que as pessoas decidiram
acreditar que eu estou gostando desse garoto? Sério, isso é frustrante. -
balbuciei. - E mesmo se eu gostasse dele, isso só hipoteticamente falando, eu
ignoraria esse sentimento depois de hoje. - Sehun me olhou de forma inquisidora
e contei tudo que havia ocorrido, desde a conversa com Giuli sobre os dois
alunos novos, até a conversa com o garoto a poucos minutos atrás.
- Que estranho. - ele apenas
disse e olhou em direção ao garoto. - Mais muito interessante. - sorriu para
mim e colocou novamente seu braço em meus ombros, fazendo com que meu corpo
colasse com o dele.
Escutamos a nossa estação ser
pronunciada como próxima parada, e eu me levantei rapidamente, arrumando a
mochila em meu ombro. Fiquei esperando Sehun levantar, mas ele apenas me fintou
divertido e fez um gesto com a mão para eu ir sozinha. O que esse traste está
aprontando agora? Arqueei uma sobrancelha pedindo explicações e ele apenas
disse.
- Mais tarde eu te ligo, e
conto tudo. Agora vai, antes que as portas se fechem. - ele pegou minha mão e
beijou, e eu saí do vagão apressadamente. Eu sei que ele vai aprontar algo,
conheço-o muito bem para saber que aquele olhar era de travessura.
Decidi não
me importar muito com aquilo e andei poucos minutos até chegar na minha casa.
Abri o portão de madeira descascado pintado de amarelo e fui direto para a
cozinha. Peguei rapidamente uma goiaba na geladeira, e enquanto comia subi para
o meu quarto. Larguei a mochila em qualquer lugar e peguei meu celular. Pulei a
janela do meu quarto e deitei no telhado, coloquei os fones de ouvido e fiquei
ali olhando para o céu. Passei algumas das várias músicas que tinha, segundo
minha mãe eu coleciono músicas, e escolhi 'Say (All I Need)[3]'
do OneRepublic[4].
‘Do you know where your heart is?
Do you think you can find it?
Did you trade it for something, somewhere?
You’re a lonely soul’[5]
Ironicamente, essa música me
faz lembrar dele. Por mais que eu queira ficar com muita raiva do garoto, suas
atitudes ainda me intrigam. O garoto... parando agora pra pensar, eu nunca
prestei atenção no nome dele. Como era mesmo? Eu já devia ter escutado em algum
momento quando a professora o chamara, mas não conseguia me recordar. Eu só
prestava atenção nele, em nada mas a minha volta.
Estava quase mandando uma
mensagem para Giuli perguntando o nome dele, quando me recordei que ela deveria
estar ainda com Baekhyun. Baek... era outro mistério a ser resolvido. Qual a
ligação entre Baekhyun, o menino excessivamente alegre, e o garoto de olhos
lindos e rabugento?
O celular vibrou em minhas
mãos, que coincidência sinistra. Olhei no visor e era Sehun que tinha mandado
uma mensagem. Cliquei e quando li as primeiras palavras quase tive uma síncope
nervosa, levantei muito rápido e tudo a minha volta girou. Tentei me acalmar e
continuei a ler o restante da mensagem.
' Esse Tarsius não mora SooAh, ele se esconde. O lugar é horrível e cheira super mal. Não sei como alguém pode morar em um lugar como esse.
Relaxa, ele não me viu. Eu queria ver esse seu rostinho preocupado agora, deve estar hilário. Eu sei que você quer me matar, mas se você quiser saber de tudo o que descobri, vai ter que me mimar muito.
Que tal fazer aquela torta de maçã deliciosa que só você sabe fazer? Eu passo na sua casa de noite.
Beijos, do seu incrível dongsaeng[6]. '
- Eu vou matar esse garoto! -
berrei, e ainda bem que não tinha ninguém em casa, pois no mínimo achariam que
estava ficando louca. Será que não estava? - Como assim ele sai seguindo as
pessoas por aí? Aish, Sehunnie... - reclamei comigo mesma.
Resolvi mandar uma mensagem
para Giuli, mesmo que momentaneamente atrapalhasse seu encontro, eu precisaria
dela mais tarde. Afinal quem melhor do que sua amiga para ser cúmplice de
assassinato?
' Miane[7], por atrapalhar seu encontro, mas eu preciso de você. Quando puder, venha para minha casa. Estou te esperando a noite, venha dormir aqui.
P.S.: Vou querer saber de tudo sobre esse encontro, em. Não dispense ele por minha causa, aproveite.
BJoo, da sua SooAh. '
Enviada a mensagem, subi pela janela e fui para a cozinha fazer a torta do infeliz do meu amigo. Se eu fosse uma pessoa má, ele teria uma estranha surpresa na torta, mas sorte dele que eu não brinco com comida. Mas Sehun que não vá achando que não o socarei, até fazer aquele cérebro de caquinha de pombo funcionar.
[1]
Game of Thrones é uma série televisiva americana baseada na saga As crônicas de
Gelo e Fogo do autor George R.R. Martin.
[2] É
um primata pequeno e de olhos enormes, atualmente só encontrado no sudeste
asiático.
[4]
Banda americana de pop rock.
[5]
Traduzido do inglês ‘Você sabe onde o seu coração está? Você acha que pode
achá-lo? Ou você o trocou por algo em algum lugar? Você é uma alma solitária.’
[6] É
um termo em coreano utilizado para se referir a pessoas mais novas.
[7] É
o modo de pedir desculpas informalmente em coreano, utilizado apenas para
amigos.

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