quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Capitulo I - O começo é sempre caos.



Às vezes acho que seria muito mais simples se todos nós, os sobreviventes, colocassem uma arma na cabeça e puxássemos o gatilho.

Todos nós sabemos que não há cura, e provavelmente nunca haverá uma. Pra que então continuar com isso? Já era para estarmos caminhando entre os mortos desde o começo. Só tivemos sorte, ou azar, como queira.

Você deve estar se perguntando por que estou viva então, não é? Se acho que é muito mais simples acabar com isso logo, do que ficar criando expectativas de uma vacina, que sabe se lá, vai funcionar. 
Eu não acredito nisso, mas minha irmã sim...

E no fim das contas, eu só estou viva por causa dela, e de Daniel e Ava também. Afinal, que chance uma garota que desmaia por estresse tem de permanecer viva em um apocalipse de Z’s? Ainda não descobri o que desencadeia isso, mas é algo emocional. Está escondido no meu subconsciente, e não consigo desvendar.

- Desirée. – escutei minha irmã me chamando e vi que ela estava estendendo uma lata de salsicha em conserva, provavelmente nada apetitosa, igual as outras que já comi. 

Essa é uma das desvantagens de presenciar o fim do mundo, você não pode escolher o menu. Ou está do lado dos comedores de cérebros, ou está do lado dos comedores de enlatados.

- O que é que você tem? Está se sentindo mal, com tontura? – Dandara já começava a se preocupar comigo, mais uma vez, era típico dela me bombardear de perguntas se eu me distraísse por míseros segundos. 

- Estou bem. – interrompi e peguei a lata de sua mão, fiquei olhando para as duas salsichas boiando naquele líquido duvidoso. – Só estava pensando, apenas isso.

- Quer me contar? – ela sentou do meu lado e encostou na parede, tirando a pistola 9mm do cós da calça e colocando no colo. 

- Em tudo. Em nada. Sei lá. – dei a mesma resposta de sempre. Olhei pra ela e dei um meio sorriso, tudo para deixá-la mais tranquila. 

Peguei uma salsicha entre os dedos e coloquei tudo na boca. O gosto insosso da comida era melhor do que passar fome, pode apostar. Enquanto comia a segunda salsicha, Dandara puxou a mochila que estava do seu lado.

Enquanto ela aproveitava o pequeno instante de paz no caos para limpar e recarregar as armas, eu ficava divagando e olhando as paredes de uma escola primária, que já foram de um amarelo pálido, e que agora se encontravam imundas.

Ava estava deitada no canto da parede, com a cabeça em sua mochila, os fios loiros de seu cabelo espalhados pelo chão sujo. Ainda não sei como ela consegue deixar esse cabelo solto a maior parte do tempo. Sua arma estava ao lado da mochila, e para qualquer barulho que atrapalhasse seu sono, ela estava preparada.

Daniel estava sentado perto da porta, atento a qualquer ruído que vinha do lado de fora. Ele não queria arriscar perder mais ninguém, já tinha acontecido mais do que o suficiente com ele. Não consigo imaginar como é dar misericórdia para os próprios pais e o irmão caçula. Ainda bem que quando esse inferno começou, meus pais não eram mais vivos.

Dar misericórdia para a pessoa que você mais ama, eu não conseguiria, de maneira nenhuma. Se minha irmã virasse um Z antes de eu virar um, pra mim, estava tudo acabado também.

- Acho que deveríamos ir. – Daniel falou interrompendo meus pensamentos, e fazendo com que Ava acordasse, já com a espingarda na mão.

Joguei a lata no chão, afinal não existe mais coleta de lixo no mundo mesmo. Pegamos as mochilas e saímos em silêncio pela porta, com Daniel na frente. 

Era sempre essa mesma ordem, Daniel, eu, Dara e Ava. Assim, não ocorreriam tantos problemas indesejados, como na hipótese de eu desmaiar do nada no meio do caminho, sem ninguém para proteger as costas.

Eu tinha que ficar na frente de Ava e Dandara, para o caso de algo dar errado, assim teria Dara para me apoiar e Ava para cobrir atrás se algum Z estivesse por perto.

Passamos pelo corredor cheio de armários de alumínio. Tudo está silencioso, parecia como um dia normal antes dos Z’s. Mas silêncio demais, nunca é um bom sinal.

Quando estávamos virando no corredor da direita, para irmos em direção à saída do prédio, Dan fez com que parássemos e voltássemos para trás, nos escondendo. Escutei o barulho característico dos Z’s, o som estava vindo do final do corredor, por sorte nenhum deles percebeu ainda que estávamos aqui.

Entramos na enfermaria, já que era a porta mais próxima, assim nenhum Z nos veria antes da hora. Fazendo o menor barulho possível, trancamos a porta e Daniel ficou vigiando.

Não podíamos passar pelo portão principal, então precisaríamos de um plano urgente, pois aquela era a única saída do prédio, tirando a porta de emergência que estava bloqueada. Verificamos o prédio todo antes de escolher aquela sala de aula para descansar. Já tínhamos pegado tudo de útil, tanto na cozinha, como aqui na enfermaria.

Encostei-me à mesa, enquanto Ava e Dara examinavam a janela, e Dan vigiava a porta para que nada entrasse sem ser bem-vindo.

- Eu posso passar pela janela e chamar a atenção dos Z’s lá fora, enquanto vocês dão a volta para sair. – Ava sugeriu, não esperando uma negativa como resposta.

- Não é seguro nos separar, sabe disso. Ainda mais você sozinha para distrair Z’s. – Daniel soou protetor.

- Eu sou a única que passa por essa janela. Vamos ser realistas, é nossa única alternativa. – ela decretou e todos concordaram, afinal era verdade, não tínhamos outra opção e não poderíamos matar todos aqueles Z’s sozinhos.

- Ava. Tome cuidado, e nada de se por em perigo desnecessariamente. – Dan alertou. – Corra para a picape assim que eles forem atrás de você. 

- Entendido. – ela zombou fazendo continência. – Vai dar tudo certo. Nos vemos lá fora. – antes de sair pela janela estreita, a loira abraçou cada um de nós, já que poderia ser a última vez que estaria viva.

Esperamos o primeiro estrondo, e ele logo veio, durando no máximo cinco segundos. Provavelmente, Ava batia na lataria de algum carro, e depois veio os tiros.

Daniel abriu a porta rapidamente, e com cautela saiu da sala com a arma empunhada na mão. Fui atrás dele com meu sabre pronto para ser usado, e Dandara andava em meu encalço nos dando cobertura.

Tinham três Z’s ainda na saída, nada que eu não desse conta silenciosamente. Dan me deu passagem e num primeiro golpe cortei a cabeça fora de um deles, os outros dois perceberam minha presença e vieram famintos em minha direção. 

Não dei tempo de deixá-los se aproximar, afundei a lâmina na testa de um e quando puxei o sangue pútrido escorria pelo aço. E antes que o outro Z me tocasse, cortei sua cabeça ao meio em um golpe rápido.

Daniel tocou em meu ombro e colocou-se a frente do grupo novamente, antes de sairmos do prédio. Escutei muitos disparos, impossível de ser apenas Ava com sua espingarda automática.

- O que é que está acontecendo lá fora? – resmunguei, sendo mais uma pergunta retórica. 

Vi Ava atirando em alguns Z’s perto da picape, e estava sendo ajudada por uma garota ruiva e um garoto loiro, até que bem bonitinho. Perto deles, estava uma mulher afro americana que usava um facão muito bem, diria até, insanamente. 

Daniel e Dara começaram a correr em direção a Ava, atirando nos Z’s que encontravam pelo caminho. Comecei a correr também, me colocando na frente dos dois, como tinha que ser. 

Decepei a primeira cabeça facilmente, sentindo uma bala passar por mim e atingir um Z na minha frente. Perfurei algumas cabeças, nunca deixando de correr. 

Quando fui matar o próximo Z, ele caiu sendo atingindo por um projétil vindo de cima. Olhei para o telhado de uma casa em específico e vi um garoto com um rifle. 

- Nada mal. – sussurrei em aprovação.

Voltei à atenção para o show de horrores aqui embaixo e mais alguns Z’ vinham em nossa direção, e foi quando tudo começou a ficar turvo e meu coração acelerar. Sabia o que estava prestes a acontecer, eu estava tendo uma maldita crise. 

- Agora não. – reclamei da hora inoportuna de isso acontecer. Minha visão já estava escurecendo e antes que apagasse gritei o nome da minha irmã. – Dandara!



Asas de Borboleta - Sinopse



Sinopse



Desirée faz parte de um grupo de sobreviventes, e é conformada com o destino da humanidade, não acreditando em uma cura para os Z’s. Ela ainda permanece viva por causa de sua irmã Dandara, e deixa muito claro que quando Dara morrer, ela também o fará. 

Dée sofre de desmaios repentinos por causa do estresse, desencadeados por algum trauma emocional que ela não se recorda. Isso faz com que coloque todos a sua volta em perigo, e ela mesma principalmente.

Seu destino cruza com o de Tommy, ou 10K como prefere ser chamado. Um garoto especialista em matar, com uma pontaria excepcional, mas, ainda assim, um garoto.